Niterói

QUARESMA: “…façamos o outro sentir que Deus o ama como a um filho”

Começa hoje a Quaresma, tempo “forte” de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferece a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa, fazendo um sério discernimento da própria vida, confrontando-se de maneira especial com a Palavra de Deus, que ilumina o itinerário cotidiano dos fiéis.  Em tempos de Pandemia mundial, somos convidados, como destacou o Papa Francisco, em sua mensagem, “…viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid-19.”.

O tempo da Quaresma começa hoje, nesta Quarta-feira de Cinzas e segue até a Solenidade de Domingo de Ramos totalizando os 40 dias. Este tempo litúrgico é definido pelos teólogos como o tempo da conversão. Este é o tempo de preparação para a festa da Páscoa, é o tempo para buscar ser melhor e arrepender-se dos pecados.

Em uma audiência geral, o Papa emérito Bento XVI, definiu os quarenta dias da Quaresma, como um tempo de expectativa. Disse ele na ocasião, “trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas.” A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal. A preparação para a Páscoa, durante esses quarenta dias, é feita por meio de jejum, abstinência de carne, mortificações, caridade e orações.

O Código de Direito Canônico da Igreja Católica, nos Cân. 1249, 1250, 1251, 1252 e 1253, descreve que “na disciplina católica, todos os fiéis, cada qual a seu modo, têm obrigação de fazer penitência. (….) Que nos dias de penitência os fiéis de modo especial se dediquem à oração, exercitem obras de piedade e de caridade, se abneguem a si mesmos, cumprindo mais fielmente as próprias obrigações e sobretudo observando o jejum e a abstinência.”.

“…Os fiéis são exortados a guardarem a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da conferência episcopal (…) os fiéis devem seguir o preceito da abstinência e do jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. A obrigação do cumprimento da lei da abstinência recai sobre os maiores de treze anos. Estão sujeitos à lei do jejum todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos”, diz o documento.

O Código de Direito Canônico apresenta ainda que práticas de penitência, nos diversos lugares do mundo, ficaram sob a responsabilidade das conferências episcopais. Estas “podem determinar, mais pormenorizadamente, a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo ou em parte, pela abstinência ou jejum”, conforme Cân. 1253.

Que possamos, nesta quaresma, renovar o amor ao próximo e a caridade esquecida nessa pandemia mundial. “Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, lembrando-nos da palavra que Deus – «não temas, porque Eu te resgatei» (Is 43, 1) –, ofereçamos, juntamente com a nossa obra de caridade, uma palavra de confiança e façamos o outro sentir que Deus o ama como a um filho”, como destacou o Papa Francisco, em sua mensagem, para a Quaresma deste ano.

Por João Dias
Fontes: Santa Sé, Arquivo SECOM, Código de Direito Canônico, Catecismo da Igreja Católica
Arte: Thiago Maia

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