Niterói

COMUNICAÇÃO – Servir ao próximo

NÉLIO - CNBB

O termo serviço ou servir ao próximo pode parecer oposto ao termo liberdade, no raciocínio puramente humano, mas segundo as palavras e o testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando peregrinou na terra, o termo é a prova de amor, e a finalidade de nossa criação à imagem e semelhança de Deus, expressa os significados complementares da mesma atitude religiosa e moral, como, por exemplo: devemos servir livremente a Deus, a Cristo, à Igreja e ao próximo.

Concílio Vaticano II ensinou o que significa o termo serviço como um dos conceitos preferidos da sua doutrina. O ponto de partida é o plano divino da salvação do mundo, que teve Cristo por fundamento, sempre subordinado à vontade do Pai. O conceito de dependência, em relação a Deus Pai, é próprio do serviço, molda a figura de Cristo, já proposta na profecia do Servo de Javé, ou seja, de Israel personificado no Messias redentor (cf. Is 49, 53 ss).

Filho de Deus e Filho do homem, que entrou na história do mundo, como Ele mesmo anunciou, “para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45). O plano da salvação nos revela duas intenções relativas ao serviço de Cristo: primeiro, a inserção da vontade do próprio Cristo na vontade soberana, misteriosa e misericordiosa do Pai. Jesus sujeita-se, obedece “até à morte” (Fl 2, 8) à vontade suprema do Pai. E, embora fosse de natureza divina (cf. Fl 2, 6), subsistindo na natureza de Deus, quis assumir a natureza de servo, a natureza humana, até à aniquilação de si mesmo (cf. 2,7). Jesus disse: “Eu sempre faço o que é do Seu agrado” (Jo 8, 29; 14, 31), o segundo, sublime e trágico, é o do Getsêmani: “Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice; todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres” (Mt 26, 39).

Foi esta a condição estabelecida por Deus e escolhida por Cristo. Na perícope da Carta de São Paulo aos Hebreus (cf. Hb 10, 5-10), o apóstolo nos apresenta a intenção orientadora desta escolha de serviço, de humildade e de sacrifício. Jesus se humilhou a ponto de dizer de si mesmo: “o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28).O Credo da missa responde: “por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu”.

A nossa salvação é o motivo, o amor que fez com que Jesus se tornasse servo, se tornasse vítima por nós (cf.  LG, 5). A palavra “servir” não indica uma degradação insuportável para a dignidade e liberdade da pessoa humana, mas, vista na função e na finalidade pelas quais Cristo as fez próprias, adquire o mais alto valor moral, o valor do dom de si, do sacrifício e do amor sem limites. “Esta missão, portanto, que o Senhor confiou aos Pastores do Seu Povo, é um verdadeiro serviço, que nas Sagradas Escrituras significativamente se chama ”diaconia” ou “ministério” (LG, 24).

A experiência histórica e a tendência humana de fazer do exercício da autoridade uma afirmação de domínio pessoal ou uma fonte de proveito econômico exigiram a restauração do conceito genuíno da autoridade, na Igreja, e também no campo civil (cf. GS 74). Ela não deve ser despotismo, orgulho, egoísmo ou triunfalismo, mas a procura do bem comum e o serviço, prestado aos mais necessitados, com estilo evangélico e pastoral, e com formas apropriadas e legítimas, a fim de que apareça como a expressão das virtudes que Jesus irradiou, embora Se tenha chamado “Senhor e Mestre” (Jo 13, 13): a humildade a mansidão (cf. Mt 11, 29) e o amor, isto é, a explicação mais característica e mais completa da Sua missão: “estar perto dos homens para os instruir, santificar e guiar, criando assim uma sociedade, a Igreja, unida pela fé e pela caridade”.

Caríssimos irmãos, façamos como Orígenes que disse: “Jesus, vinde, tenho os pés imundos. Derramai água na bacia, vinde Senhor lavar os meus pés. Bem o sei que é temerário o que vou dizer, mas temo as sua palavras ditas “se não lavares os teus pés, nãos terás parte comigo”. Lavai-me, portanto os pés, para que tenha parte convosco. Mas se digo, lavai-me os pés? Pôde dizê-lo Pedro que necessitava de lavar só os pés, porque estava todo limpo. Eu, ao contrário, uma vez lavado, preciso daquele Batismo do qual vós, ó Senhor, dizeis: “Quanto a mim, com outro Batismo devo ser batizado” (Orígenes das orações dos primeiros cristãos).

Diácono Nélio do Amparo
Rádio Anunciadora

Católico