Niterói

COMUNICAÇÃO – Vivendo e comunicando o amor

NÉLIO - CNBBEsta foi a forma de vida escolhida por Francisca de Paula de Jesus, também chamada de Bem-aventurada Nhá Chica: oração, jejum e esmola.  Nasceu em 1808, em São João del Rei, no Estado de Minas Gerais, Brasil. Seu nome foi em homenagem a São Francisco de Paula, o santo taumaturgo fundador da Ordem dos Mínimos, muito venerado pelos escravos do Brasil colonial, especialmente em Minas Gerais. Ela não tinha sobrenome, porque era filha natural de Izabel Maria, uma escrava, e de pai desconhecido.

Aprendeu de sua mãe as orações e as devoções, mas, sendo mulher e escrava, não pôde estudar. Quando adulta, não sentiu jamais a necessidade de aprender a ler, porém, como confessou, quase no fim da sua vida: “Desejei somente escutar a leitura das Sagradas Escrituras; alguém me fez esse favor e eu fiquei satisfeita”.

Francisca de Paula, em 1821, uma vez recebida a alforria, transferiu-se com a mãe e Teotônio Pereira do Amaral, irmão por parte de mãe, para Baependi, uma cidade em pleno desenvolvimento, onde, poucos meses depois, ficou órfã.

Quando sua mãe estava prestes a morrer, recomendou que levasse uma vida voltada para Deus, para melhor praticar a caridade e conservar a fé cristã. Assim, mesmo tendo recebido muitas propostas de matrimônio, rejeitou-as, julgando ter uma missão a cumprir. Todavia, não se mostrou contrariada com os pretendentes, antes, se dizia grata pelas boas intenções demonstradas para com ela.

Seguindo o conselho da mãe, continuou a viver sozinha em uma casinha sobre uma colina, no alto de um morro, em Baependi, para dedicar-se à oração e aos cuidados dos pobres.

Francisca de Paula, portanto, escolheu desde jovem uma vida de pobreza: viver em oração, pobre entre os pobres. O seu zelo pelas coisas do Senhor levou-a a organizar encontros de oração, diários e semanais, para a gente dos bairros vizinhos, a oferecer um almoço semanal para os pobres, a dar esmolas para os necessitados.

Assim, logo se tornou a humilde “mãe dos pobres”, como era chamada, pronta para acolher quem se aproximava dela para pedir orações, conselhos, consolação e conforto.

Somente a fé a levou a renunciar às coisas materiais e viver pelo bem dos irmãos. Tornou-se uma verdadeira lâmpada, colocada num candelabro.

De fato, mesmo sendo uma ex-escrava e descendente de escravos, atraiu a si pessoas de todas as raças e tendências políticas, sinal de que viam nela a mulher de Deus, cheia de fé e caridade.

A sua casa, por longos setenta e cinco anos, foi um lugar frequentado por pessoas simples e conselheiros imperiais, jovens e profissionais de destaque, pobres e ricos, provenientes não só de Minas Gerais, mas também do vizinho estado de São Paulo, e sobretudo da capital de então, Rio de Janeiro. Muitos cidadãos que iam visitar a estância hidromineral de Caxambu, aproveitavam para visitá-la, primeiro levados pela curiosidade, e em seguida para pedir orações e conselhos.

Hoje, milhares de pessoas do mundo inteiro se dirigem à cidade de Baependi, buscando um milagre para seus sofrimentos, ou agradecendo as graças recebidas através de sua intercessão. A todos respondia, sem considerar-se uma profetisa, mas, como disse, “Eu repito o que me disse Nossa Senhora e nada mais”.

Ela chamava a Santíssima Virgem de “Minha Sinhá” (Minha Senhora) e confessava, candidamente: “Eu rezo e Nossa Senhora me ouve, me responde”, ou então “É o Espírito Santo que me inspira”. Foi justamente neste contexto, que Nossa Senhora pediu-lhe a construção de uma capela, em sua honra.

Aquela que para todos era e é Nhá Chica morreu em 14 de junho de 1895. O seu corpo foi exposto por quatro dias, sem que desse o menor sinal de decomposição; ao contrário, exalava um perfume de rosas, o que aconteceu novamente quando o corpo foi exumado. Isso permitiu a numerosos fiéis, vindos de todas as partes, saudá-la pela última vez. Exposta para as exéquias, na igreja matriz de Baependi, foi em seguida levada nos ombros à capela construída por ela, onde foi sepultada. Em 1999, efetuou-se o reconhecimento canônico, e os seus restos mortais foram recolocados no mesmo lugar, em um sarcófago de granito.

Bem-aventurada Nhá Chica, ensina-nos a comunicar e a viver para o Amor Divino.

Cf Postulazione Delle Causi Dei Santi
Diácono Nélio do Amparo
Rádio Anunciadora

Católico