Niterói

COMUNICAÇÃO – O Tempo

FEVEREIRO 2016

NÉLIO - CNBBO tempo é inexorável, ele passa sem que o homem perceba, e não volta mais. Deus, criador de todas as coisas, definiu para cada homem um tempo determinado, afim de que seja realizado Seu plano de amor, durante a vida terrena.

Cada dia representa, para cada um, “o momento propício, o dia da salvação” (2Cor 6,2), quando devemos trabalhar com entusiasmo, cooperando com a graça recebida, para a nossa própria santificação. Após esse tempo, não haverá outro. Se o tempo que ao homem é oferecido for mal empregado, nada restará de bom, ou seja, estará perdido para sempre.

O ser humano tem como condição primordial o fluir do tempo, um contínuo contar dos dias que não voltam jamais. Na eternidade, ao contrário, já não haverá essa contagem, pois tudo estará completo. Todo homem será colocado no grau de amor que tiver praticado durante sua peregrinação terrestre, ou seja, se praticou muito amor será grande sua recompensa no amor, se for pequeno, pequena será sua participação, e não terá mais tempo para corrigir essa falha, pois terminado o fluir do tempo humano, a sua peregrinação terrestre, não será possível nenhum progresso.

O apóstolo das nações, São Paulo, na carta aos Gálatas, exorta-nos a não nos cansarmos de fazer o bem a todas as criaturas; e se o homem mantiver a esperança e não desistir, alcançará os frutos, ao tempo de Deus. Enquanto houver tempo, o bem deve ser praticado a todo instante. Cada ano que começa apresenta a chance de renovar a esperança de uma vida melhor, é um convite para valorizar o tempo presente, santificando-o por meio da prática da caridade.

A Irmã Carmela do Espírito Santo ensina que devemos dar, a cada instante, o máximo de amor, eternizar o instante que já está a fugir, dando-lhe o máximo valor da caridade.

A caridade praticada santifica todas as ações, mesmo as consideradas mais simples e banais, conferindo-lhes o valor maior da vida eterna, que é o amor. Pela mesma caridade, somos direcionados a viver mais intensamente por Jesus, que nasceu, sofreu, morreu e ressuscitou por amor a suas criaturas. É necessário mais e mais esforço, para sermos em tudo agradáveis ao Senhor, e quando terminar o curso de nossa vida terrestre, mereçamos ser admitidos, com Jesus, ao banquete nupcial e contados como bem-aventurados (LG 48).

Vivendo a esperança, diariamente, em amor e caridade, o cristão realiza o plano divino sobre sua alma, alcançando o grau de amor que Deus espera de cada um, com o qual amará e O glorificará eternamente. Para crescer na prática do amor, o homem tem somente a breve caminhada da vida terrena, e dela deve aproveitar o máximo, fazendo boas obras, com toda a generosidade do coração, vencendo a preguiça e a mesquinhez, que indicam sempre a lei do menor esforço.

Somente dessa forma, o homem crescerá, crescerá em seu amor sem medida, e poderá dar ao Senhor Deus o belo testemunho que deu Santa Teresa do Menino Jesus, que disse e praticou: “O vosso amor cresceu comigo e agora se transformou num abismo tão grande, cuja profundidade não posso sondar”.

Mas o homem pergunta quais são as boas obras que deve praticar? Fazer sempre a vontade de Deus, pois somente através dessa vontade, ou seja, viver para Deus, com Deus, ajudando ao próximo.

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou, conforme nos diz o Evangelista João, que deveria terminar as obras daquele que o enviou enquanto é dia, porque virá a noite na qual ninguém pode trabalhar.

Para isso, Ele se encarnou e encontramos em Hebreus 10: “Eis que venho para fazer Ó Deus, a Vossa vontade”

Para isso viveu: “Não sabíeis que devo cuidar das coisas de meu Pai?”(Lc 2).

Jesus Cristo ensinou que a vida tem somente uma finalidade e deve ter um só empenho: a vontade, o plano e a glória do Pai.

Amados irmãos: seguir Jesus Cristo significa procurar viver em profundidade essa verdade, essa atitude, convictos de que uma única ocupação tem valor: “cuidar das coisas do Pai”. Durante a nossa vida, quantas vezes nos dispersamos em mil direções, em mil futilidades, praticando coisas sem utilidades, coisas que desaparecem com o passar do tempo, puras vaidades da vida terrena. Somente o tempo que é dedicado a Deus, a fazer cumprir Sua vontade, não passa.

Vivendo dessa forma, o passar do tempo não lança sobre a existência humana o véu da tristeza, de uma vida vazia, mas enche o coração humano de alegria, porque o faz se aproximar do eterno, que é o Senhor de nossas vidas. Que o ano que se inicia, seja como um salto à frente, em busca sempre da verdadeira pátria, e cada dia de sua vida seja marcado pelo ardente desejo da presença de Jesus, e possamos dizer, como em apocalipse 22:  “Vinde Senhor Jesus”.

Diácono Nélio do Amparo
Rádio Anunciadora

 

Católico