Niterói

Canonização de Irmã Dulce na LIVE e Rádio Anunciadora

No domingo dia 13 de outubro, A LIVE do Facebook da Arquidiocese de Niterói e a Rádio Anunciadora transmitirão ao vivo, diretamente do Vaticano, a Santa Missa de Canonização da baiana Irmã Dulce, cujo título será Santa Dulce dos Pobres. A cobertura tem início às 4h40, com um especial sobre a vida da Santa, gentilmente cedido pela TV Evangelizar e às 5h, diretamente do Vaticano, a cerimônia de Canonização, com imagens do Centro Televisivo do Vaticano (CTV).

No Brasil, a missa festiva será realizada no dia 20 de outubro, na Arena Fonte Nova, em Salvador, com apresentações musicais e espetáculo teatral, a partir das 15h. Já a celebração religiosa, presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, está marcada para as 17h.

Irmã Dulce Lopes Pontes, no civil Maria Rita, primeira santa brasileira, da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.  Maria Rita nasceu em Salvador, Bahia, em 1914. Tinha 6 anos, quando sua mãe faleceu. Aos 18, entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde recebeu o nome de Dulce. Fundou a União dos Trabalhadores de São Francisco, um movimento operário cristão, e o hospital Santo Antônio.

Irmã Dulce faleceu na capital baiana, em 1992. Foi beatificada em 2011, durante o Pontificado de Bento XVI.

O milagre que  levou à canonização foi a cura milagrosa de José Maurício Bragança Moreira, que, cego por causa de um glaucoma grave, ao ter uma  conjuntivite, colocou uma pequena imagem da Irmã Dulce sobre os olhos, pedindo a sua intercessão. Quando acordou, tinha voltado a enxergar.

A Herança de Irmã Dulce

Por Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

“Nos pobres que Irmã Dulce acolhia, nos doentes que abraçava, nas crianças que encontrava abandonadas, tinha a capacidade de ver o rosto de Jesus.

 Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir”. Essa sugestão do apóstolo Pedro (1Pe 3,15) é uma síntese, do que a Bem-aventurada Dulce dos Pobres procurou realizar ao longo de sua vida. Pedro estava preocupado com a perseguição que começara contra os primeiros cristãos e queria ensiná-los a reagir, quando perseguidos. Recomendou-lhes dar um lugar especial a Cristo em seus corações, cultivando com Ele uma profunda amizade, mesmo porque não era contra eles que nascia o ódio dos perseguidores, mas contra o Senhor Jesus.

Irmã Dulce não foi perseguida, não foi caluniada e, longe de sentir nascer contra si o ódio da sociedade, era admirada, louvada e procurada por multidões. Sabemos que a causa de seu longo martírio – e uso aqui essa palavra no seu sentido original, referindo-me à pessoa que dá testemunho de Jesus Cristo – teve outras causas: (1ª) Deus lhe deu um coração sensível, capaz de se condoer com a situação dos pobres. Ela então sofria porque, por mais que os ajudasse, via que mais lhe restava por fazer. (2ª) Deus permitiu que sua saúde fosse frágil. Como ela sentia a força de Cristo em seu coração, esquecia-se de seus próprios sofrimentos, para debruçar-se sobre a dor dos pobres que encontrava, ou que a procuravam. (3ª) Deus lhe concedeu um coração ousado, capaz de dar passos que o bom senso humano não recomendaria; por isso mesmo, ela precisou enfrentar incompreensões e sofrimentos.

A síntese de seu martírio, contudo, foram os últimos 16 meses de sua vida – meses de agonia, meses de Calvário. Nessa última etapa de sua caminhada, passou por sofrimentos tais, que nos fazem concluir que Deus não poupa em nada os seus amigos e amigas – antes, espera que lhe demonstrem seu amor também dessa forma e nessa hora, e o demonstrem especialmente aos necessitados.

Nos pobres que Irmã Dulce acolhia, nos doentes que abraçava, nas crianças que encontrava abandonadas, tinha a capacidade de ver o rosto de Jesus. Por isso, não lhe era difícil socorrê-los; era, antes, uma oportunidade de demonstrar ao seu grande amigo o quanto Lhe queria bem. Ela mesma testemunhou isso: “Não há maior alegria neste mundo que entregar-se totalmente a Deus, servindo-o na pessoa de nosso irmão mais necessitado, mais sofredor” (Summarium, p. 580).

Tendo a Santa Sé aprovado o milagre necessário para a sua canonização, cuja data ainda não está determinada, cabe-nos fazer a pergunta: Qual a herança que Irmã Dulce nos deixou? Ela nos deixou uma importante obra social e deixou à Igreja uma nova congregação religiosa. Creio, contudo, que sua maior herança consiste na motivação  que orientou a  sua vida, que a levou a fazer as escolhas que fez, e que determinou a direção dos seus passos. Essa motivação tem o  nome e o  rosto de  Jesus de Nazaré. Para Irmã Dulce, conhecer Jesus Cristo pela fé foi a fonte de sua alegria; segui-lO foi uma graça, e transmitir o amor que dEle recebeu, e com o qual se enriqueceu, foi a tarefa que sentia ser sua obrigação levar adiante (Cf. Conferência de Aparecida, 18). Cabe-nos, pois, acolher essa herança e nos aprofundar nela.

Para quem Irmã Dulce deixou sua herança?Ela a deixou para todos nós. Além de sermos responsáveis pela continuidade de  sua Obra Social, somos herdeiros das motivações que orientaram e deram vida a seus passos. Contudo, não nos esqueçamos: será necessário, sim, irmos ao encontro daqueles que foram a razão de ser dos trabalhos de Irmã Dulce. Mas, como ela, não lhes levemos apenas pão, remédio e cura física. Somos chamados a dar aos necessitados aquele pelo qual Irmã Dulce viveu, trabalhou e sofreu: Jesus Cristo. Em outras palavras: Irmã Dulce não nos deixou apenas uma ONG para cuidar dos pobres. Deixou-nos, sim, uma missão: a de colocar esses nossos irmãos e irmãs que sofrem em contato com Jesus Cristo, para que tenham um encontro pessoal com ele e possam, então, segui-lo. Fazendo isso, estaremos demonstrando ter compreendido e acolhido a rica herança que a Bem-aventurada Dulce dos Pobres nos deixou”.

Acompanhe aqui a Missa de Canonização de Irmã Dulce:

Por João Dias
Texto história: Vatican News
Foto: arquivo

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