Niterói

CONVERSA ENTRE FIÉIS – Por menos prisões, por mais cristãos

Pe Carmine PascaleQue mundo é este que estamos ajudando a construir e que acentua prisões ao invés de escolas, em que cristãos aplaudem cabeças decepadas e condições ultrajantes porque são de / para presos?

Estamos começando mais um ano pastoral, depois de um tempo de necessário descanso. Isto é fundamental para dar frescor às nossas ações e garantir um serviço responsável e compromissado. No entanto, agora que estamos “reaquecendo”, é hora de refletirmos sobre o que somos e fazemos, o que pensamos, como fazemos, para que fazemos; verificar se nossos valores são de fato os de Cristo; recomeçar se preciso for. É urgente que cristãos ajam como cristãos de verdade: o mundo tem jeito, nosso país tem conserto se assim o fizermos. Mas se nossas atitudes e nossas palavras não forem condizentes com nossa fé, ficará muito difícil manter viva a esperança, pois a Esperança é o próprio Cristo! Ou o entregamos a todos e a todas em nossas realidades, ou o fazemos conhecido em nossas famílias, trabalho, entre nossos conhecidos, ou a esperança nem terá vez, porque Ele não terá sido apresentado!

Empenhemo-nos neste Ano Mariano Nacional para que, a exemplo de Nossa Senhora, saibamos apontar Cristo – não nossas opiniões e nosso ego – por toda parte. Empenhemo-nos para que o “espanto” que possamos causar por aí seja o de pessoas que fazem o bem, que sabem perdoar, que sabem lutar por um mundo de justiça e solidariedade, um mundo em que a vida seja garantida e a dignidade nem precise ser discutida, porque todos a terão como certeza…

O país em que vivemos não pode, não precisa ser um lugar de corrupção, riqueza para uns e miséria para muitos. O Brasil não pode continuar a ser um lugar em que – na falta de espaço, ou teríamos mais – a população carcerária ultrapasse seiscentas mil pessoas, número maior do que o de muitas cidades.

Comecemos por nós, transformando nossos ambientes em ambientes saudáveis e alegres, onde haja abundância de bem. Comecemos por “fazer diferente”, esquecendo a “máxima” do mundo de que “todo mundo faz”. Como já disseram alguma vez, “a hora é agora”! Não dá mais para adiar, sob pena de acabarmos de destruir a Criação como um todo e a própria humanidade. Lembremos disso ao olharmos cada irmão. O parente idoso só precisa agora de uma atenção nossa. As crianças, adolescentes e jovens precisam agora de educação efetiva, daquela que diz “não” sempre que deve dizer. Eles precisam muito mais de atenção e amor do que de coisas materiais, ninguém se iluda. Lembremos também, neste mês em que comemoramos o Dia Mundial dos Enfermos, de cada pessoa acamada, de cada um que sofre em asilos, hospitais, clínicas psiquiátricas.

Nós podemos fazer o bem. Podemos servir, como Cristo fez e nos pediu para fazer. Então, que este ano pastoral seja fonte de luz a jorrar de cada paróquia! Que nossos trabalhos e toda a ação de nossas comunidades sejam para a honra e glória do Senhor, reflexo de comunidades de santos e santas, homens e mulheres “separados” para fazer o bem, segundo uma vida pacífica, misericordiosa, desprendida.

Por Padre Carmine Pascale

Católico