Niterói

CONVERSA ENTRE FIÉIS – Construir um coração aberto ao Senhor

Todo início de ano somos convidados a pensar sobre a paz. Cada ano se inicia com o Dia Mundial da Paz e Maria, a Rainha da Paz, nos chama a olhar para seu Filho e nos diz: é possível! Ouçam-no!!!!

Como isso é fundamental! Mas este ano é ainda mais. Infelizmente, a humanidade tem uma enorme dificuldade de abrir o coração, de entender que a paz precisa ser ativa, que ela é resultado de um compromisso, cuja raiz está na própria família! É nela que podemos aprender sobre o diálogo, sobre a solidariedade, a fraternidade, o amor incondicional.

Disse que neste ano isto precisa ser ainda mais forte. Creio que todos concordam, porque seja em nosso próprio país, seja em nível mundial, a situação de violência é tamanha que ou trabalhamos para incrementar o bem de todas as maneiras, ou o mal irá ganhar ainda mais espaço.

Quantos horrores não temos verificado dia a dia na imprensa, nos veículos de comunicação? O que não temos visto como resultado da ganância humana, que só cria injustiça, miséria, pobreza, desespero? Em nome de fama e poder, de roupas de marca, vida de luxo, jatos particulares, quebra-se um Estado e até o país, e não importa se muitos ficarão sem salário, remédio, vida digna. Em nome de uma pretensa liberdade, de um pretenso direito, tira-se o direito mais primordial do ser mais indefeso, assassinado em um aborto cruel (não pensem que não é… as práticas são tortura da mais absurda). Em nome dessa mesma liberdade, criam-se políticas de natalidade impensadas durante anos, distribuem-se camisinhas ao invés de dar às famílias condição digna para terem os filhos que desejam, ou ainda fazem isso para “normalizar” promiscuidade “sem consequências”; e de repente se descobre que “sabe-se lá por que” a população envelheceu e a Previdência está quebrada. E se então caminhamos mundo afora, vemos as pessoas brigando por comida como na Venezuela, outros peregrinando sem rumo, buscando o direito de viver, simplesmente, com suas famílias, em sua própria casa. E aí a Síria salta aos olhos, em uma situação pior do que qualquer guerra até então promovera… Todos têm visto. Que desespero de pais vendo suas famílias morrendo de fome, filhos mutilados, filhas sendo estupradas! E alguns alegam que tudo isso é em nome de Deus! Como nos lembrou o Santo Padre, em Assis, em setembro do ano passado, e agora retomou em sua Mensagem pelo Dia Mundial da Paz: “jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra”.

Pensemos seriamente nisto neste início de 2017. Isto é tão urgente que é uma responsabilidade nossa irrecusável! Pensar sobre a paz, construir um coração aberto ao Senhor, e seguirmos missionários, com oração insistente e ação corajosa como em outros momentos já se fez, e nosso Papa também lembrou. Ainda tomando as suas palavras, vamos em frente, assumindo o compromisso “a favor das vítimas da injustiça e da violência”. E assim, irmãos e irmãs, defendamos a vida, os nascituros, os doentes, os abandonados, os excluídos. Digamos sim ao convite do Papa Francisco: procuremos construir a paz por meio da não-violência ativa! Agir pacificamente, a cada momento, é trabalhar por um mundo de justiça, dignidade, alegria genuína, paz!

Por Padre Carmine Pascale

Católico