Niterói

SETOR JUVENTUDE – Assessoria adulta leiga: o que é?

Há algum tempo a Igreja do Brasil se dedica a discutir e discernir sobre o trabalho de evangelização e acompanhamento da Juventude do Brasil. E dentre os inúmeros esforços dedicados a essa temática, surgiu um personagem que se mostra importante, para que o processo de evangelização juvenil alcance bons níveis de sucesso e para que se garanta a continuidade dos trabalhos e projetos das pastorais juvenis. Essa figura é o Assessor, que a Igreja do Brasil fez a opção de tratar como aquele que exerce “ministério da assessoria” (Doc. 85 CNBB – Evangelização da Juventude).

A função de assessor existe em outras áreas da vida moderna, fora do campo da pastoral. Um partido político, um sindicato, uma empresa precisam de assessores para ter uma ação mais eficaz dentro da complexidade da sociedade moderna. Dependendo do lugar e do país, utiliza-se termo diferente: assessor, agente, animador, diretor, assistente. Dentro do contexto do Setor Juventude, o assessor é aquele que garante a continuidade no trabalho de formação, fazendo com que seja aproveitada toda a experiência acumulada, na medida em que vão se revezando as várias gerações de jovens. Os protagonistas são os jovens, é claro. Mas os assessores, com sua experiência de vida/fé e conhecimento teórico, facilitam o nascimento do novo. O assessor é, sobretudo, um educador. Educar é ajudar o educando a desenvolver suas próprias potencialidades. Ele traz informações e conhecimentos novos. O assessor, sendo aquele que exerce “ministério da assessoria”, porém, não é qualquer tipo de educador. É um educador da fé. Ser um educador da fé é a principal missão do assessor.

Muitos jovens não receberam formação cristã na família, e muitas vezes não a recebem na paróquia. Não podemos exigir do jovem algo para o qual não foi despertado. Nem sempre o assessor entende seu papel específico. Tem receio de falar de Jesus Cristo, da importância de celebrar a fé e do estudo teológico.

É fácil ser um Assessor? Hoje, devido à distância que existe entre as gerações, não é fácil encontrar adultos que tenham jeito, vocação e tempo para acompanhar o trabalho pastoral junto à juventude. Os adultos, diante deste trabalho, têm dificuldade de se aproximar, sentem agressividade dos jovens, dificuldade de se expressar e comunicar, insegurança, falta de equilíbrio emocional, falta de tempo, distanciamento, medo de serem superados, medo de enfrentar o novo, instabilidade do jovem, angústia frente às mudanças rápidas na maneira de pensar dos jovens. Além disso, sentem-se incapazes, velhos demais, acham que perdem forças,  e têm dificuldade de dialogar com o jovem. Mas os jovens esperam dos adultos, alguém que possa escutá-los e acompanhá-los no seu projeto de vida.

Dada à importância do assessor leigo, é preciso ter cautela e acolhimento com aqueles que \se dispõem a vivenciar esse desafio. A fim de dedicar uma atenção especial ao assunto, o Setor Juventude Arquidiocesano achou por bem montar uma comissão de assessores leigos, para tratar e fomentar a discussão sobre o assunto, e através dessa comissão, fazer um esforço de identificar adultos que já cumprem esse papel, e novas pessoas com potencial para tal, além da promoção de mecanismos de formação e socialização desses agentes. Para que tenhamos sucesso nessa empreitada, é necessário auxilio das lideranças jovens, para ajudar a identificar os agentes que se encaixem nesse perfil.

Por Wanderson Marins

Católico