Niterói

CONVERSA ENTRE FIÉIS – Café, pão com manteiga e paz

Estamos vivendo mais um Advento, e a sensação nesta época é, naturalmente, de expectativa e renovação, mas ao mesmo tempo estamos cansados, porque o ano civil ainda corre, e fica tudo muito atribulado… Por isso, precisamos perceber o grande valor que este momento tem em nossas vidas, organizar a agenda, garantir um tempo, e passar a limpo tudo o que for necessário! Se não podemos deixar de lado nossas tarefas, também não podemos preencher toda e qualquer hora com elas, e, de quebra, preencher, o que dá, de preocupação com festas, presentes e confraternizações e basta. Aliás, se já não deveria ser assim ano algum, este ano deve nos chamar ainda mais a atenção pra isso, porque a situação que nos envolve não pode ser de desperdício, de consumismo! Não está fácil pra ninguém! As coisas andam duras e não raro injustas, mas vejam que são, para quem tem fé, a oportunidade de colocar tudo no seu devido lugar…

Aproveitemos este tempo de espera do Senhor, que vem para pensar naquilo que é o principal para nós. O que é o Natal? Uma desculpa pra comprar, pra acertar a casa e encher armários de roupas novas? E se não podemos nada disso? Deixamos de ter Natal?

Façamos o propósito de rever prioridades e encontrar, para sempre, o principal. Cristo é o principal! Por Ele precisamos nos mover! A Ele temos que apresentar! Muito mais do que presentes – que podem ser um carinho, sem dúvida – o que devemos levar às nossas famílias é Cristo! E se faltar dinheiro, não há porque faltar oração, ternura, sorriso, abraço, perdão, alegria. E se não der pra ter uma mesa farta com coisas típicas, dá pra ter uma comidinha feita com amor e que nos reúna em torno da mesa… Afinal, café, pão com manteiga e paz valem mais, muito mais, do que peru, bacalhau, panetone, com desunião…

A plenitude dos tempos se anunciou na simplicidade. O Rei chegou em meio a animais, Maria teve um parto sem luxos… Mas não faltou amor ali. A cena não perdeu em nada sua profundidade! Então, não ensinemos a nossas crianças que este é tempo de consumo, escrevendo listas pra “Papai Noel”; ou, pior, dando envelopinhos com dinheiro pra gastarem, envelopes frios e sem vida “para dar menos trabalho” e “ensinar desde cedo o valor do dinheiro”. Mas ensinemos a elas o valor da vida, da família, do amor; ensinemos a elas que há um razão especial para nos reunirmos na noite do dia 24, e que antes disso há um tempo para nos prepararmos para essa noite tão importante. E na noite de Natal, participemos da missa. E depois, na ceia, rezemos juntos também. Aproveitemos para rir em família! E façamos da troca de presentes um momento de expressão de carinho, não de obrigação! Que os presentes não sejam comprados porque “tenho que”, que não sejam “em carreira”, vinte iguais sem pensar em quem. Que para nós sejam uma forma de dizer que nos amamos e que há um Deus que faz mais, ama-nos incondicionalmente, e que a prova está ali, Ele se deu a nós! E aí, o que dermos ao outro – um cartão, uma balinha ou um presente mais caro, não importa – será uma maneira de marcar o desejo de fraternidade e paz. E assim veremos mágoas bobas se dissiparem. Veremos a noite fazer sentido. Ela não terminará com pessoas “empanturradas” e até bêbadas e brigando! Terminará com pessoas alegres, felizes por terem estado juntas, por algo que vale a pena!

Que este seja um Natal de verdade. Natal de simplicidade, verdade, alegria e paz. Natal de expectativa alegre, sabendo que no dia que virá, cuja hora desconhecemos, será o dia da maior alegria, porque juntos encontraremos o próprio Senhor, que nos acolherá de braços abertos!

Por Padre Carmine Pascale

Católico