Niterói

SUPERANDO LIMITAÇÕES – A humildade

“A humildade é o caminho da santidade.” Foi o que disse o Papa Francisco, na missa matutina da segunda-feira, do dia 1/02/2016, na Casa Santa Marta.

Então, o que é humildade?

Segundo Frederico Mattos, psicólogo, a humildade é um processo psicológico que possibilita a uma pessoa olhar para si mesma e aos outros, numa perspectiva realista.

A palavra vem de húmus, do latim: “terra, chão”. A humildade é algo que deixa uma pessoa absolutamente conectada ao mundo como ele é, e não como ela gostaria que fosse.

Normalmente, é um engano, associar humildade a uma história de pobreza ou perdas, e até mesmo confundi-la com aparência maltrapilha e descuidada. Quando a pessoa diz que veio de uma origem humilde, na realidade ela diz que veio de uma origem pobre. Pobres podem ser orgulhosos e ricos podem ser humildes. A humildade não é patrimônio exclusivo de nenhuma faixa socioeconômica.

O estereótipo simplista da pessoa de fala mansa, passiva, sempre disposta a fazer tudo por todos, sem critério, pode estar escondendo o orgulho através das falsas manifestações de humildade, pobreza, gentileza e posturas pretensiosamente anticapitalistas.

Algumas características que compõem a humildade:

Bom senso: percepção do contexto. Momentos de ação pedem movimento, de silêncio requerem quietude, de ardor apelam para a intensidade. O clichê da pessoa rigidamente moderada pode ser enganoso.

Agregação: a ideia de distinção ou privilégio é própria do orgulhoso. A habilidade de olhar para as pessoas sem necessidade de julgar e hierarquizar a realidade. A pessoa pode tirar uma conclusão dos fatos sem, necessariamente, depreciar o que enxerga e se autoproclamar superior.

Realismo: olhar e perceber a realidade e não tentar falsear a percepção, achando que o próprio desempenho foi melhor ou  pior do que de fato foi.

Apreciação: apreciar a simplicidade, que é aquilo que está diante de você, seja uma mansão ou um relógio.

Gosto pela vida: postura de querência pela realidade como ela é, mesmo as mais difíceis situações olhadas com certo sabor de curiosidade e apreciação.

Sustentação de paradoxos: sabe que é uma pessoa única, mas sabe que não é privilegiada ou especial.

Percepção da conectividade com os outros: sabe que não está só e isso cria condições para a generosidade. Não alimenta a ideia falsa de que não precisa de ninguém e nem que a única forma de se realizar depende exclusivamente de outros.

“Se não fores capaz de ter algumas humilhações, não serás humilde”, reforçou o Papa Francisco.

Por Drª Loíse de Oliveira CaputoLoíse de Oliveira Caputo

Católico