Niterói

SUPERANDO LIMITAÇÕES – Ter um conceito, não é preconceito

Com a expansão da internet, muitos conceitos popularizaram-se de forma jamais imaginada até hoje: a sociedade passou a funcionar em rede, como disse Castells. Foi um avanço, mas um dos temas que mais se difundiu com essa expansão está, ao mesmo tempo, certo e errado: o combate ao preconceito. Certo porque realmente se faz necessário tal enfrentamento quando verdadeiramente de preconceito se tratar; e errado pela forma como a ideia acabou se difundindo, já que tomou-se a exceção como regra e hoje em dia tudo virou preconceito.

As pessoas têm um conceito próprio sobre cada tema e isso é fruto do seu gosto e das experiências que teve na vida, sem contar uma série de fatores que só a Psicologia pode explicar: educação familiar, círculo de amizades, religião e etc. Não é possível a nenhum ser humano ter opinião formada sobre tudo e é por isso que, juridicamente, cada um pode se expressar livremente sobre os conceitos que tem a respeito dos assuntos que bem entender, sem ser tachado de “preconceituoso” apenas porque emitiu uma opinião contrária ao que se entende como “politicamente correto”. O fato é que preconceito é a ideia pré-concebida e refere-se a um conceito formado de forma anterior ou antecedente à constatação dos fatos, utilizando-se de características julgadas universais, sendo atribuíveis a todos que se encaixam na categoria referida, ou implícitas, naturais ao objeto que é dirigida e nada tem a ver com conceito, gosto e opinião.

Rodrigo Constantino disse em artigo publicado no jornal O Globo: “os indivíduos razoáveis preferem muitas vezes ficar de boca fechada sobre assuntos mais controversos, para evitar a fúria de uma minoria raivosa e organizada, que consegue intimidar eventualmente até uma maioria silenciosa.”

Ninguém consegue ter uma ideia acabada sobre tudo e por isso é inevitável que em determinados casos o cidadão tenha a tendência de gostar do que lhe parece conhecido e se afastar do que lhe parece novo. Numa democracia convive-se bem com as opiniões divergentes. Temos que tolerar até mesmo as opiniões que achamos absurdas, desde que não sejam ofensivas. É preciso repensar esse conceito “preconceitista” (ver preconceito em tudo), porque estamos criando uma geração que não aceita ouvir um “não” e onde todo mundo se sente ofendidso por qualquer coisa, tendo por método chamar de preconceito todo e qualquer conceito alheio discordante. Viver em democracia é respeitar as diferenças e defender os seus conceitos.

Por Drª Loíse de Oliveira CaputoLoíse de Oliveira Caputo

Católico