Niterói

ESPIRITUALIDADE – O WhatsApp de cada dia nos dai hoje?

Padre-Dudu-BragaNão! A vida não é só WhatsApp! Ele não pode ser o nosso pão de cada dia! A vida não pode ser resolvida pelo WhatsApp! Será que um aplicativo, além de quase “onipresente”, pode ser também “onipotente”? Parece ser para tantos de nós! Quantos precisamos bater no peito? Não! Não se pode resolver tudo pelo WhatsApp! Definido como um aplicativo para comunicação por mensagens através dos smartphones, o WhatsApp se transformou em um dos principais meios de comunicação da atualidade, substituindo até mesmo as ligações, e o pior, as relações pessoais, a “cultura do encontro”. No entanto, assim como qualquer recurso humano, também o WhatsApp precisa ser usado com sabedoria e equilíbrio.

Precisamos de critérios

Talvez não estivéssemos preparados para a chegada deste aplicativo, atualmente quase “divinizado”; e é exatamente por isso, que precisamos, em nossas conversas privadas ou em nossos inúmeros grupos, pensar em critérios e regras de conduta que devem ser sempre lembradas para o uso justo do WhatsApp.

A exposição da vida, a futilidade nos conteúdos desnecessários, a dispersão na concentração, a substituição da pessoa real pela virtual, o uso do aplicativo para não dizer o que precisamos dizer pessoalmente, a dependência viciosa de vivermos grudados no telefone por causa dele… Todas essas situações precisam nos fazer pensar. Até quando estamos sendo verdadeiramente livres depois do advento do WhatsApp em nossa vida? Quantos minutos conseguimos ficar sem olhar o telefone? Conseguimos ficar alguns dias sem usá-lo?

Precisamos nos questionar

A comunicação pelo smartphone e aplicativos ainda é um fenômeno recente, no entanto, ninguém pode negar que o contato contínuo e a instantaneidade fazem parte da essência deste aplicativo. A informação imediata e o perigo de ser absorvido pelo mundo virtual caminham juntos no uso do aplicativo.

Em qualquer tempo e lugar, pelo WhatsApp, nossas mensagens podem ser recebidas e respondidas quase simultaneamente! A conversação em tempo real traz uma nova dinâmica social, ampliando-se a dimensão espaço-temporal. “O indivíduo está presente fisicamente, mas é absorvido por outro mundo, tecnologicamente mediado”, disse um estudioso, recentemente.

Novamente digo que não estávamos preparados para esse dilúvio de tecnologia virtual carregada de informações e possibilidades,  que, muitas vezes, nos forçam a tomar decisões imediatas. Pessoalmente, o que mais tem me incomodado é que somos “pressionados”, muitas vezes, a agir a partir do que as pessoas nos pedem, perguntam ou exigem pelo telefone. Todos querem respostas e soluções para suas dúvidas e questões, imediatamente, na mesma velocidade em que recebemos e respondemos as mensagens. Não temos, praticamente, o tempo de que precisamos, nem mesmo para pensar em responder. Quantas vezes podemos, por isso, ter respondido ou nos expressado de maneira errada?

A questão da sociabilidade, da convivência.

A alienação de algumas pessoas, demonstrando a supervalorização do virtual em detrimento do diálogo e do convívio com outros indivíduos, é um dos fatores que, certamente, mais afeta de modo negativo. Várias pessoas estão completamente viciadas no WhatsApp. Não se trata apenas de adolescentes! Muitas das vezes não conseguimos distinguir o real do virtual. Um dos maiores problemas apontados por aqueles que estudam o assunto, e por quem decidiu cancelar a conta, é a “eterna conectividade”. Percebe-se que, com a facilidade da comunicação virtual, o convívio social e pessoal tem sido deixado de lado por muita gente. Isso é um risco, não só para as relações afetivas, mas também, para a trajetória profissional do indivíduo, uma vez que assuntos importantes ainda demandam maior atenção e exigem que as informações sejam trocadas pessoalmente.

A cibercultura do nosso século, especialmente entre os jovens, transformou a internet num elemento da cultura atual. Pensemos na cultura da visibilidade, provocada pelas telas dos computadores e telefones, por exemplo. As comunidades virtuais falam, por exemplo, do “eu visível” e do “eu invisível”. Ninguém pode negar o quanto tudo isso tem tocado em nossas relações, tanto positiva, quanto também negativamente.

Quem de nós, ainda não dominado pelo vício, não se sentiu extremamente mal por estar em uma mesa, por exemplo, na qual a atenção real foi desviada pela virtual? E naquela reunião, quando nos momentos mais importantes, alguém está no “Sapp”? O que pensar da cena absurda e grotesca, daqueles quatro membros da família que estavam todos à mesa, cada qual com seu telefone on line no Sapp?

Resolver tudo pelo WhatsApp?

O ritmo que atualmente a vida moderna nos impõe é uma rotina louca e acelerada. Nela, sobretudo, o telefone celular ampliou a possibilidade de coordenar à distância coisas corriqueiras e ordinárias, sem querer ter tanto trabalho. Não estamos falando aqui daqueles que dependem quase que exclusivamente da rede telefônica, para seu trabalho ordinário e cotidiano.
No entanto, cresce a tendência de resolver tudo via WhatsApp. É a famosa frase: “Eu mandei um Saap” ou ainda “Me manda um Saap”. É assim mesmo? Tem que ser assim mesmo, para tudo? E o que dizer do absurdo de pessoas que terminam relacionamentos, não só por causa do WhatsApp como também por WhatsApp? Vovó diria: “Meu filho, é o apocalipse!”.

A questão da Gestão do tempo

Ih…que ponto difícil! Quanto tempo estamos no Sapp? Nem sei! Quantas coisas deixamos de fazer, é mais fácil pensar. Quantas horas de leitura, convivência, orações e sono passaram a ser subtraídas, sequestradas e roubadas depois que nós conhecemos o Sapp?

Prejuízos e limites no ambiente de trabalho e na Igreja?

Vale dizer que o alto grau de interatividade pode ser bastante prejudicial no trabalho, sobretudo se o alerta sonoro do aplicativo fica ligado. Tem gente que não tem “desconfiômetro”! Nada contra os carteiros, mas ninguém merece aquele barulhinho do assovio! E na Missa? Sempre acho que veio do “grupo do inferno”, mandado pelo capeta! Deus não precisa de WhatSapp para se comunicar conosco! Porém, a conversão também precisa passar primeiramente pelos ministros do culto. Temos visto coisas que até mesmo o grupo do inferno duvida…

A chegada constante de mensagens atrapalha a concentração e diminui, significativamente, a produtividade do profissional, o que tende a gerar atrasos e baixa qualidade.
Vejam esta frase de um jovem de São Gonçalo: “O whatsapp não me deixa trabalhar, mas me deixa viver”. O que pensar?

Alguém conseguiria trabalhar eficazmente, estando online durante toda a carga horária? Se já reclamávamos da atenção que o cliente precisava antes, imagine agora…

O Conteúdo, o excesso desnecessário e a futilidade das mensagens

Muitos usuários têm abandonado o aplicativo por conta da enxurrada de mensagens recebidas diariamente – algumas até sem importância – e pelo aumento desordenado do número de grupos – família, trabalho, escola, entre outros. Essas duas desvantagens acabam gerando um outro ponto negativo, listado por quem utiliza o Sapp: o compartilhamento de conteúdo inapropriado. Não estou pensando em conteúdo impróprio, moralmente falando, mas o que dizer do dilúvio de pornografia que nossos adolescentes recebem atualmente pelo Saap?

Conflitos dos mais sensatos e a questão dos Grupos

A cobrança imediata porque você visualizou, acredito ser uma das maiores dificuldades, mesmo que alguém pense diferente. Estar na chuva é pra ser molhar, ou podemos pensar que se eu não dou conta, eu posso sair.

Mas, eis a questão: ler ou não ler? E se você leu? Basta ler? Como esse WhatsApp é exigente! Não basta ler todas essas conversas, tem que participar! Porque seria muita falta de consideração da sua parte, visualizar a mensagem e não manifestar a sua opinião. Se você não tiver tempo para responder, nem leia, é o que muitos pensam. Do contrário, a mensagem azul dirá para o seu amigo que você leu, mas não está nem aí para responder,  e quer mais que ele se exploda! – é assim que ele vai se sentir (a propósito, é como você também se sente). E também não adianta muito não abrir a mensagem, só para não constar como visualizada, porque o WhatsApp conta que “você foi visto pela última vez há 2 minutos atrás e não quis responder a ninguém!” – semeando a discórdia!

Todos esperam que você leia os seus WhatsApps, como se cada um fosse único! O pior é que, inevitavelmente, um belo dia, enquanto você responde as suas últimas 672 mensagens não visualizadas, você acaba enviando para um grupo ou pessoa errada. Mais um problema; fora a questão do corretor, que não cansa de te constranger…

Quanto aos grupos, encontrei um texto de uma jornalista com umas reflexões legais:
“Além de todas essas pessoas reclamando a sua resposta com urgência, você também tem que dar atenção para os grupos: grupo dos amigos do colégio, dos amigos da faculdade, dos amigos que são mais amigos da faculdade, grupo do trabalho, grupo dos amigos do trabalho, grupo da família (e os 476 “Bom Dias” diários), grupo das melhores amigas…

Sair desses grupos não parece uma boa opção, porque, isso sim, seria o cúmulo dos cúmulos! Deixar um grupo do WhatsApp é o mesmo que desligar na cara das pessoas, ou mandá-las calar a boca. Sim, eu sei que no fundo essa é a sua vontade, mas você não quer que eles saibam – só que todos saberão, porque no exato minuto em que você sair, aparecerá na tela: “você, pessoa ingrata, saiu”. Pronto! Ali já começam as especulações e outros integrantes do grupo irão se perguntar o motivo (este será o assunto do dia!) levantando as hipóteses mais absurdas: “Ela deve ter saído porque naquele dia eu falei que o ex dela estava ficando com a minha prima, com certeza ela não gostou, porque ainda pensa nele. Ou então, agora ela está interessada na minha prima…” – mundo moderno. Se você procurava paz, errou. Você que só queria um tempinho para viver, agora terá que usar os seus próximos minutos para se explicar.
Eis que silenciar os grupos no Whatsapp parece ser a melhor solução”

A novidade do WhatSapp: a criptografia

Nestes primeiros dias de abril, nossos telefones pediram atualização; e eis que recebemos uma outra surpresa: A Criptografia!

Com o que chamam de “criptografia de ponta a ponta”, as mensagens são embaralhadas, ao deixar o telefone da pessoa que as envia, e só conseguem ser decodificadas no telefone de quem as recebe. A criptografia amplia a confidencialidade das informações que as pessoas trocam para lidar com assuntos de trabalho, fotos pessoais, etc. Já há polêmica em relação a esse novo recurso. Vamos esperar!

Peço perdão se me equivoquei em alguma coisa. Os que me conhecem sabem que essa nunca foi nem será minha área. Apenas partilhei situações do cotidiano, vividas por mim e pelas pessoas com quem convivo ou atendom e que me passaram a incomodar um poucom ou bastante. Amigo WhatSaap, sei que você é importante e já me ajudou muito. Agradeço-lhe e talvez fiquemos um tempo sem nos falar. Que nossos amigos nos compreendam…

Padre Eduardo Braga

Católico