Niterói

ESPIRITUALIDADE – Viver o Tempo Pascal no Ano da Misericórdia

Padre-Dudu-BragaA felicidade puramente intramundana, buscada por tantos de nossos coetâneos, uma vida acelerada e estressante, na qual os adultos não apenas se matam de trabalhar, mas infelizmente, também a juventude se diverte até morrer, não pode garantir o futuro, nem ser paradigma para as novas gerações. Nós, cristãos, temos uma Palavra para o mundo de hoje!  Só a esperança pascal, associada à ressurreição dos mortos pode tornar a nossa existência humana digna de ser vivida neste mundo.

Nesta Páscoa, do Ano Santo da Misericórdia, não podemos nem queremos viver uma páscoa desencarnada. Um dos grandes homens de Igreja do nosso tempo, o Cardeal Schonborn, de Viena, afirmava que “A misericórdia é algo mais que a justiça; nela trata-se de prestar atenção e ser sensível à necessidade concreta que nos aparece. Trata-se da superação da autorreferência, que nos torna apáticos e nos cega para as necessidades corporais e espirituais dos outros. Trata-se de vencer a dureza do coração perante o chamado de Deus, que nos chega através do encontro com a necessidade dos demais”.

A cultura da misericórdia não pode estar presa apenas à ajuda material, em alguns momentos, ou a determinadas pessoas e lugares. Não podemos ser “misericordiosos como o Pai” apenas nos deslizamentos e nas chuvas, apenas quando nos chega uma carta circular. Precisamos da Páscoa! Precisamos viver misericordiosamente para com todos. Esse pode e deve ser um fruto maduro da Páscoa do Ressuscitado em mim!

Queremos encontrar com o Ressuscitado não só nos Domingos de Páscoa, ao meditarmos os Evangelhos das aparições. Queremos encontrá-Lo diariamente no Pão da Palavra meditada, no Pão Eucarístico recebido e adorado, na carne do irmão pobre, sacramento também real e verdadeiro de Deus.

Queremos não apenas celebrar Sua Ascenção aos Céus com nostalgia e estupor. Queremos progredir com Ele! Queremos elevar-nos em nossas relações familiares, de trabalho, de estudo e de Igreja. Queremos não apenas sentir o Céu na Terra; mas queremos profetizar “oásis”, “hospitais” e “tochas” de misericórdia para levar os que amamos muito ou os que ainda amamos pouco para o Céu!

Não seja apenas este Ano o Domingo da Festa da Divina Misericórdia. Seja um evento e um acontecimento em nossa história de salvação! Passe da liturgia da Missa para a liturgia da vida!

Queremos não apenas celebrar fervorosamente Pentecostes, com alegria carismática e exuberantes cantos de louvor. Queremos, com a força do Pentecostes Pascal, ir às “periferias existenciais”, onde se encontram os pobres da Palavra e do Espírito. Precisamos de um Pentecostes de Misericórdia, que leve a anunciar o que o Papa Francisco nos pediu, na Bula da Misericórdia, para o Ano Santo: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é apenas fonte de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa” (MV 19).

Ajude-nos a Santa Mãe Maria, Mãe de Misericórdia, imagem concreta, espelho de misericórdia, testemunha fiel da Páscoa, arquétipo da misericórdia humana e cristã. Rogue Ela pelo mundo, pela Igreja de Deus, pelos homens e mulheres do mundo inteiro!

Padre Eduardo Braga

Católico